ELE ME SUSTÉM

Ingrid Oliveira • 11 de Maio de 2018

Estar em um momento de fraqueza não é fácil. Algumas situações da vida, às vezes, nos deixam sem esperanças ou perspectivas, especialmente quando passamos a viver pelo “se fosse assim”, “se eu tivesse isso”, “se tivesse aquilo”... Ora, agindo dessa forma, estaremos entrando num modelo de vida incerto, afinal, se a nossa vida é regida pelo “se”, a dúvida se torna nossa companheira, e nos tornamos pessoas descontentes.

Aliás, a insatisfação que surge nesse contexto, traz à nossa vida uma inconstância perene, com frequentes altos e baixos, tanto espiritualmente quanto em nosso cotidiano secular. A verdade é que quando experimentamos fracassos, normalmente nos culpamos, ficamos confusos e acabamos por nos esquecer que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8:28), mesmo que esse “bem” não seja exatamente o que eu esperava.

Em todo caso, a dúvida, somada a outros fatores do dia a dia, nos tira da comunhão saudável com o Pai, o qual é o nosso abrigo, proteção e fortaleza (2 Sm 22:31; Sl 17:7; Sl 18:2-3).

Permita-me exemplificar essa realidade com uma situação bem comum no meio cristão, em especial, entre jovens e adolescentes: imagine-se que um filho tem um pai que o ama muito, e os dois estão sempre em contato. Todavia, o primeiro, ocupado com as suas atividades diárias, acaba sentindo-se sufocado e se debruça sobre os seus afazeres. Por um descuido, então, ele se sente cansado e, tentando fugir disso, vai para a rua, na busca de um escape, de um segundo de paz, aceitando qualquer coisa que lhe pareça agradável aos olhos.

Ora, em busca desse alento, o filho acabou afastando-se do pai e, vindo o inverno, sem agasalho, tornou-se ainda mais vulnerável ao ambiente. Conforme os dias passam, as suas esperanças vão-se diminuindo e coisas ainda maiores que as primeiras passam a sufocá-lo, de maneira que, como num ciclo vicioso, ele se volta para buscar mais “paliativos” à sua agonia. E eis que, no meio desse vendaval, aquele filho vê uma mão sendo-lhe estendida; a pessoa que fez isso, o oferece ainda um abraço, agasalho, um lar. Era seu pai.

Ora, quantas vezes eu me vejo na posição desse filho, o qual, mesmo amando aquele que o gerou, ao se ver sufocado pelas atividades diárias, deixa a comunhão com o mesmo, não expressa o que genuinamente sente, repetindo, antes, meras palavras rotineiras de agradecimento, bem como um perdão da boca para fora, vencido pelo cansaço.

De fato, uma leitura superficial da Bíblia e dos livros espirituais, uma oração sem qualquer intensidade e uma abundância de lágrimas em razão do meu cansaço muitas vezes me sobrevieram porque o Senhor não foi a minha prioridade. Se não tomarmos cuidado, a correria do nosso cotidiano roubará a nossa alegria, paz e energia...

A reação do Senhor, porém, é incrível! Quando estou sem forças para sequer balbuciar uma palavra que seja, Ele surge e toma o meu coração, enchendo-o de paz e descanso; às vezes parece até que o ritmo das coisas diminui, pois Deus nos revigora, nos enche de forças e nos faz superar os momentos de dificuldade.

Salmos 126:1-6 diz: “Quando o SENHOR trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham. Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o Senhor a estes. Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres. Traze-nos outra vez, ó Senhor, do cativeiro, como as correntes das águas no sul. Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.”

Caro leitor, quando eu entendo que não devo mais viver para mim mesmo, mas pela graça, aprendo que em qualquer situação, o meu Pai será a minha provisão e me sustentará, de maneira que se acaso precisar de consolo, sei que terei o Seu abraço. Não apenas isso, mas por meio de Sua Palavra, tão cheias de vida, perdão e misericórdia, Ele ainda me dará a direção e confirmação para as minhas decisões (Sl 119:105).

Reconhecer que o Senhor sabe de todas as coisas nos leva a deixar as dúvidas e os “se” de lado, dando lugar à certeza e ao “eu aceito, eis-me aqui”. No início, podemos até nem entender, mas com o tempo, se permanecermos firmes Naquele que nos ama incondicionalmente, venceremos todas as tribulações. Busque a Jesus, confie que Ele é a sua provisão total, que nas falhas irá sustê-lo e que mesmo diante de sua infidelidade, mantém-se fiel. Sim, esse Jesus, cujas palavras não mudarão (Mt 24:35), é o gozo que você precisa. Receba-O e desfrute Dele!

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