O FANTÁSTICO MUNDO MEU

Júlio César de Andrade Araújo • 14 de Setembro de 2018

    Lembro-me, na infância, de assistir a um desenho chamado “O Fantástico Mundo de Bobby”, cuja história se desenvolvia a partir da visão de mundo do protagonista, um garoto de quatro anos, o qual possuía uma imaginação muito fértil. O pequeno Bobby nada mais era do que um retrato das crianças de um modo geral, e talvez por isso mesmo, tenha ele ficado tão popular naquele início dos anos 90.

    Não sei qual é a sua idade, caro leitor, mas talvez, assim como eu, também teve um “fantástico mundo”. Quem nunca se imaginou sendo um grande jogador de futebol? Ou, quem sabe, um super-herói? Não importa como nos víamos, uma coisa era certa – tudo ocorria como queríamos e nunca, jamais, perdíamos!

    Ocorre, porém, que embora esse tipo de experiência se tenha na infância, muitas vezes como adultos, nas “coisas de adulto”, também temos um mundo próprio, fantástico e idealizado. Nele, as pessoas ao nosso redor agem conforme queremos, as situações estão sob o nosso controle e absolutamente tudo está em sincronia com a nossa vontade. O problema, porém, é que no mundo real, não é assim que as coisas acontecem, e o choque entre as duas realidades nos magoa, frustra e deprime.

    Nesse ponto, uma observação importante: não estou dizendo que seja errado se ter sonhos ou aspirações; pelo contrário, diferente de todos os demais seres vivos, fomos criados com a capacidade de pensar no futuro, e tais coisas nos servem como bússolas. Agora, o firmamento sobre o qual construímos as nossas expectativas é o que nos dará a segurança para enfrentar as adversidades e lidar com as frustrações quando o mundo real distoa do “mundo fantástico”.

    Em Lucas 6:46-49, Jesus narra uma de suas parábolas, dizendo que aquele que ouve as Suas palavras e as pratica “é como um homem que, ao construir uma casa, cavou fundo e colocou os alicerces na rocha. Quando veio a inundação, a torrente deu contra aquela casa, mas não a conseguiu abalar, porque estava bem construída. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica, é como um homem que construiu uma casa sobre o chão, sem alicerces. No momento em que a torrente deu contra aquela casa, ela caiu, e a sua destruição foi completa”.

    Existem, nesse contexto, diversas lições sobre as quais vale a pena discorrer. Note, em primeiro lugar, caro leitor, que essa parábola está inserida num contexto em que se aborda a obediência. Como o próprio Senhor explicou, edificar sobre a rocha está relacionado a ouvir e praticar as Palavras do Senhor, a cumprir a Sua vontade, ao passo que não fazê-lo é o mesmo que se construir sobre o chão.

    Pois bem, tanto “chão” quanto a “areia” (Mt 7:24-27) são figuras que representam o homem, pois este veio do pó (Gn 2:7). Dessa forma, se nós conduzirmos a nossa vida construindo expectativas naquilo que é humano – seja uma pessoa, um curso, um emprego, etc. – certamente experimentaremos frustrações e a elas sucumbiremos. Quanto mais tentarmos manter as coisas consoante o nosso “fantástico mundo”, mais as “torrentes” tratarão de nos mostrar que não vale a pena.

    Se, por outro lado, as nossas expectativas são colocadas em Deus e alinhadas à Sua vontade, Ele mesmo se responsabilizará em atendê-las. E se porventura algum dos nossos desejos não venha a se concretizar, perceberemos que é porque Ele tinha algo muito melhor para nos conceder.

    Sabe, caro leitor, por mais perfeito e idealizado que seja o “fantástico mundo meu”, aquele que o Senhor tem reservado para nós é infinitamente superior, pois os caminhos e os pensamentos Dele são bem mais altos do que os nossos (Is 55:8-9) e a Sua vontade é boa, agradável e perfeita (Rm 12:2). De fato, por maiores que sejam as nossas expectativas, elas nunca conseguirão conceber o que o Senhor pode fazer – Ele vai muito além do que pedimos ou pensamos (Ef 3:20).

    Talvez você já tenha esperado tanto de muita gente, e até agora só colheu frustração. Quem sabe suas expectativas estivessem no seu curso, no seu trabalho ou em alguma outra coisa, mas foi desapontado. Todos esses itens não são necessariamente ruins, somente não são Deus, e por isso mesmo estarão sempre passíveis de decepcioná-lo. Se, por outro lado, você colocar as suas expectativas no Senhor, quando as demais pessoas errarem ou lhe magoarem, você conseguirá ministrar perdão; quando vier a experimentar algum fracasso ou derrota, não ficará com receios, nem prostrado diante disso, antes permanecerá firme! (Jr 17:7).

“Mas agora, Senhor, que hei de esperar? Minha esperança está em ti”
(Sl 39:7).

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