É PRECISO SER ACSA

Michaella Azevêdo • 26 de janeiro de 2018

    Certa vez, em uma reunião, certo irmão compartilhou algo que achei surpreendentemente fantástico e que mudou a minha maneira de ler a Bíblia. Ele disse a seguinte frase: “Deus é econômico em suas palavras. Quando ele registra algo é porque aquilo não somente tem um significado como também um propósito. Absolutamente nada foi escrito em vão”.

Desde o dia em que ouvi essas palavras, quando leio a Palavra, fico meditando o “por quê” daquelas palavras estarem ali. É incrível a riqueza de detalhes que surgem em meio aos textos, e creio que muito além da função de nos transportar para dentro daquela realidade, Deus escolheu cada frase a fim de nos mostrar algo.

E foi sob essa premissa que comecei a leitura de um dos meus livros favoritos: Juízes. Olhando apenas para o lado humano dos personagens ali citados, não consigo lembrar de outro livro da Bíblia que reúna em tão poucos capítulos tantas pessoas distintas entre si, porém igualmente fortes e cativantes. São 21 capítulos marcados por uma narrativa apaixonante, e confesso que fui fisgada já no primeiro pela rápida aparição de uma mulher decidida, forte e segura, Acsa. Se me permite apresentá-la, ela era a filha de Calebe, dada por esposa a Otniel como recompensa por uma importante vitória. O que mais me chamou atenção na sua história, todavia, é o que acontece nos versos 14 e 15 daquele capítulo inicial de Juízes:

Esta, quando se foi a ele, insistiu com ele para que pedisse um campo ao pai dela; e ela apeou o jumento; então Calebe lhe perguntou: Que desejas? Respondeu ela: Dá-me um presente, deste-me terra seca, dá-me também fontes de água. Então, Calebe lhe deu as fontes superiores e as inferiores” (Jz 1:14-15).

Ao ler esses versículos, fiquei meditando no propósito dessas palavras, bem como na coragem dessa mulher. Se a gente pensar na realidade do tempo em que essa história se passou, sua condição não lhe favorecia, nem lhe eram dados muitos direitos, de maneira que recebera do pai somente um terra seca. Todavia, ela não se conformou. De fato, de que lhe serviria uma terra infrutífera? Acsa sabia que seu pai tinha mais para lhe oferecer. Ela tinha uma visão e a coragem que muitas vezes nós não temos. Quantas vezes já não nos conformamos com terra seca, sendo o nosso Pai o dono das fontes inferiores e superiores?

Se achamos que já insistimos bastante, nos falta agora “apear do jumento”! Sim, pular, saltar, ter coragem, ter atitude de quem não se conforma...

Não sei ao certo qual a intenção de Deus em registrar esse gesto que poderia ter passado desapercebido, mas, para mim, serviu de alerta e encorajamento. Desde o dia em que li essa passagem, só consigo pensar que às vezes, somente conseguiremos desfrutar das fontes inferiores e superiores que nosso Pai tem se tivermos coragem. De fato, é preciso insistir, apear da nossa zona de conforto, demonstrar interesse e se esquecer da nossa condição... É preciso ser Acsa.

“Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, se lhe abrirá” (Mt 7:8)..

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