PERFECCIONISMO É RELIGIOSIDADE, EXCELÊNCIA É REINO

Júlio César Andrade • 23 de fevereiro de 2018

Há alguns dias, deparei-me com a frase que dá título a esse texto, frase esta dita pelo pregador americano Bill Johnson. Não sei exatamente a que ele se referia ao declará-la; o fato, porém, é que ela me fez repensar na maneira como tenho conduzido a vida, particularmente quanto ao meu serviço ao Senhor.

Romanos 11:36 diz: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém”. Ora, esse versículo é bastante conhecido e proclamado por muitos cristãos, e talvez por isso, não raras vezes, não percebemos a relevância do seu significado, inclusive ao aplicá-lo à esfera do nosso serviço a Deus.

Pois bem, o apóstolo Paulo começa dizendo que tudo é de Deus. Muito mais do que uma relação de pertinência, a palavra grega utilizada nesse contexto é ex (ou ek), a qual significa “vindo de, trazido de”. Em outras palavras, o versículo quer dizer que a origem de todas as coisas é o Senhor. Nesse contexto incluem-se os nossos dons e as nossas habilidades, “ferramentas” que Ele nos deu para que pudéssemos servi-Lo. Em 1 Crônicas 29:14b, ao reunir os materiais para a magnífica obra que o seu filho concluiria, Davi reconheceu: “Tudo vem de ti, e nós apenas te damos o que vem das tuas próprias mãos”.

Logo em seguida, Paulo também diz que todas as coisas são por Ele. Este é quiçá o ponto mais crítico para aqueles que servem a Deus – bem como a questão central desse texto: muitas vezes reconhecemos que tudo vem da parte do Senhor, mas, na execução, nós O deixamos de lado. De fato, sobretudo quando trabalhamos para Ele em algo no qual somos hábeis, tendemos a fazer as coisas em nós mesmos, com base no que julgamos ser o melhor, mais correto ou mais adequado. O problema é que, por maiores que sejam os nossos esforços, o máximo que o nosso perfeccionismo trará é uma obra feita com “madeira, feno e palha” (1 Co 3:12), a qual, quando vier a ser testada, não subsistirá.

Note que o versículo prossegue dizendo que tudo é para Ele. Se o nosso serviço, portanto, é dirigido ao Senhor, como podemos realizá-lo sem consultá-Lo? Sim, se nós O fazemos da maneira como melhor nos parece, esse é um serviço para nós mesmos, a fim de agradar ao nosso próprio “eu”, do qual disse Jesus que precisamos negar (Lc 9:23). Eis aí a religiosidade – servir a Deus, sem Deus.

Se você tem feito uma obra ao Senhor e, nela, não tem se submetido aos seus líderes; se tem se achado mais capaz do que os outros, menosprezando aqueles a quem considera “menos capazes”; se tem trabalhado na base da exclusão, da discórdia, da competição, da inveja, do autoritarismo e tantas outras coisas assim, cuidado! Essas são manifestações do ego humano, de maneira que é bem provável que você esteja servindo por você e para você... O resultado disso é que a “glória” não será do Senhor, mas sua; e você estará cada vez mais trilhando o caminho que Lúcifer trilhou, caminho cujo fim todos sabemos aonde o levou.

Se, por outro lado, você tem reconhecido, no desempenho do seu serviço, que, a despeito do quão notáveis sejam as suas habilidades, é um mero vaso de barro; se tem posto de lado todo o orgulho, a religiosidade e a tradição; se tem negado a sua própria vontade em prol daquela que é boa, agradável e perfeita, sendo a ela sensível e permitindo que o Espírito o conduza em tudo, então a sua obra será mais excelente do que qualquer uma outra que o seu perfeccionismo poderia produzir. Antes, ela estará nos padrões do Reino de Deus de maneira que, na sua volta, Ele dirá: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!” (Mt 25:21). Acima de tudo, o fruto desse seu serviço redundará em glória e honra para o Senhor, afinal “temos (...) este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”. Jesus é o Senhor!.

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