PRECISAMOS AMAR A PLANTAÇÃO

Igon Fernades • 09 de março de 2018

No ano de 2015, durante uma mensagem que liberava, um irmão levou os jovens que estavam lá a uma reflexão. Após citar alguns exemplos que testificavam a lei da semeadura (não se pode colher o que não se plantou), ele perguntou aonde os jovens queriam estar daqui a 2,5 ou 10 anos, tanto no serviço ao Senhor, como em seus projetos humanos, e logo em seguida, questionou o que estavam fazendo para chegar lá.

Essa foi uma palavra que me impactou muito e que realmente atingiu o objetivo de me levar a refletir, fazendo com que eu encontrasse alguns pontos destoantes entre o que eu plantava e o que eu pretendia colher.

Agora, no ano de 2018, me encontro refletindo sobre a mesma lei: eu sei o que quero colher e o que preciso plantar. Ao olhar para homens que atingiram seus objetivos, vi que não somente plantavam a “semente” necessária, mas que, também, amavam a “plantação”.

Na bíblia, temos exemplos de pessoas como Moisés, Davi e Paulo, que deixaram legados que dispensam apresentações, frutos dignos de verdadeiros servos do Senhor. Moisés cumpriu sua missão de liderar os hebreus, Davi foi o mais notável dos reis de Israel e considerado homem segundo o coração de Deus; Paulo foi um grande apóstolo, cheio de revelação, que gerou e cuidou de inúmeras igrejas. E o que os três tem em comum? Os corações deles estavam no processo, não no resultado.

MOISÉS

Ao longo de toda a trajetória de Moisés, percebe-se o zelo e a dedicação aos hebreus, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado (Hb 11:25). Após as muitas situações enfrentadas por ele, e próximo ao fim de sua carreira, ainda assim se preocupava com o povo de Deus: preparou-lhes um líder antes de sua partida, incentivava e reforçava a ideia de que os israelitas precisavam ouvir e obedecer às ordenanças de Deus, a fim de que prosperassem enquanto nação; e abençoou cada uma das tribos de Israel (Dt 33.1-29). Ele lutou em favor do seu povo e o amou até os últimos dias de sua vida.

PAULO

Paulo é outro irmão que embora tivesse um alvo definido, amava cada etapa do processo. Em vários textos ele expressa o amor, carinho e apreço que tinha pelos irmãos e por cada processo de sua obra:

“Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.

Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no Evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós,

Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco.

Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados;

Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha.

Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios.

Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.

E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o Evangelho, a vós que estais em Roma”. (Romanos 1:8-15)

“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne”. (Filipenses 1:23-24)

DAVI

O coração de Davi voltado a Deus e o zelo para com o povo de Israel, são evidentes ao longo de toda a sua trajetória, mas quero compartilhar com vocês um versículo específico que gerou um sentimento no meu coração, sendo o ponto de partida para eu escrever essa crônica:

“Quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer.” Sl 16:3

Nós, cristãos, temos o objetivo de um dia reinar com o Senhor, queremos ser aperfeiçoados e anelamos a conclusão da boa obra que Ele um dia começou. Precisamos estar firmes quanto a isso, porém , dando atenção ao que de fato nos fará chegar lá.

Tudo isso que almejamos, virá por meio do trabalhar que o Senhor opera em nós através de sua igreja(Ef 4.11-12), pela qual se expressa e na qual estamos inseridos e temos a oportunidade de presenciar e cooperar com a edificação de cada pedrinha dessa obra que ele começou.

Quando deposito todo o meu prazer nos irmãos, é porque consigo enxergar neles o fruto do penoso trabalho do meu Senhor(Is 53:11) e tenho consciência que eles são o que o Senhor tem de mais precioso nessa terra; e que Ele conta comigo para aperfeiçoá-los e edificá-los, além de tê-los me dado como valiosos presentes. Por meio deles desfruto do amor e cuidado do Senhor, da disciplina, do apoio em meio às tribulações. Quando conseguimos, de fato, enxergar tudo isso, a igreja torna-se o nosso lar, e não há como não estar nela todo o nosso prazer.

É um processo recíproco e gradativo, quanto mais amamos o Senhor e desejamos concluir a nossa comissão(pregar o evangelho do reino, expressar esse reino e apressar a volta do nosso Senhor),mais amamos o processo(viver da igreja e dedicação ao que nos foi comissionado), e quanto mais amamos esse processo, mais abertos ficamos ao aperfeiçoamento, nos aproximamos cada vez mais do Senhor e nos tornamos ainda mais fiéis à nossa comissão.

Ainda dentro do exemplo de Davi, e o comparando à nossa realidade, em 1° crônicas e nos salmos de sua autoria, fica claro que o templo erguido por seu filho Salomão, não nasceu do desejo de uma grande obra, mas de um coração submisso a Deus, que amava tudo aquilo com que Deus mais se importava, e que apreciou cada etapa da comissão dada por Ele. Do mesmo modo, a boa obra que o Senhor completará em nós, surgirá como resultado do amor e zelo aplicado em cada etapa do nosso viver junto aos santos.

Se quisermos colher os frutos, precisamos amar e zelar pela plantação.

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