Lugar de agonia

Viviane Juliana • 20 de Abril de 2018

Local traduzido como o “ lagar de azeite” ou “prensa de azeite”, o Getsêmani certamente é uma das passagens mais fortes do novo testamento. Ali era um lugar onde a oliveira era trabalhada e transformada em azeite, e essa transformação só era possível através de sofrimento e agonia para o fruto.

Semelhante ao que ocorria com o fruto da oliveira, Jesus estava nesse local preparando-se para ser “prensado”, Ele sentia a agonia tomando conta da sua alma:

E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte.
(Marcos 14:34a)

Ele sabia que iria para cruz, sabia que iria ser traído, sabia que sofreria em sua carne as transgressões do mundo inteiro, Ele sabia que naquele momento o Pai deveria se tornar Deus e cumprir a Sua justiça, para que hoje pudéssemos ter acesso ao Pai assim como Ele tinha.

Naquele dia, não só Jesus passava pelo sofrimento do Getsêmani, mas também os discípulos que com ele estavam. Pedro, Tiago e João acompanharam Jesus até aquele local e semelhante ao mestre também sofriam com a sua partida:

Levantando-se da oração, foi ter com os discípulos, e os achou dormindo de tristeza”. (Lucas 22:45)

Confesso que ao ler diversas vezes essa passagem nos quatro evangelhos, nunca tinha me atentado para esse detalhe contido no livro de Lucas. Os discípulos não estavam apenas cansados, eles estavam tristes, tristes talvez por não compreenderem o porquê do mestre que operara tantos milagres ao longo do tempo aqui na terra, ter que se submeter aquilo, tristes porque eles amavam a presença de Jesus e naquele momento só enxergavam a sua morte e não o plano nela contida. Exatamente nesse ponto, caro leitor, podemos extrair lições valiosíssimas. Quero me ater exclusivamente a duas posturas aqui: a de Jesus e a de Pedro, um dos que ali estavam.

Enquanto passavam por aquilo, a frase que Jesus mais repetia era: “Orai, para que não entreis em tentação”. Diferente do mestre, os discípulos não conseguiram ficar acordados, eles não conseguiram orar com Jesus. O livro de Mateus detalha que ao acha-los dormindo, o Senhor direciona tal conselho a Pedro (Mt. 26:40). Por não seguir o que o Mestre dissera, o resultado obtido foi que quando a multidão chegou para prender Jesus a reação imediata de Pedro foi puxar a espada e cortar a orelha direita do servo do sumo sacerdote. Após isso, a sua reação foi acompanhar o Senhor de longe e por fim, negar por três vezes que andava com Ele. Por não orar naquele momento de angústia, Pedro se deixou ser conduzido pelas suas próprias emoções e não pela vontade de Deus, resultando em tropeço atrás de tropeço.

Jesus semelhantemente aos discípulos estava cansado, entristecido, angustiado, tomado de pavor (Mc.14:33-34), mas a sua postura foi se prostrar, orar, clamar, e embora Sua vontade naquele momento fosse totalmente contrária a vontade do Pai, Ele clamava para que a vontade do Pai prevalecesse sobre a sua. Ele não fez isso uma única vez, Ele fez isso repetidamente e por mais que naquele momento Deus precisasse se ocultar, mesmo assim Ele enviou um anjo para que consolasse o Seu filho (Lc. 22:43).

Ao optar por orar mesmo em uma situação tão difícil e exaustiva, Jesus reconhecia a sua fragilidade enquanto homem, e perseverava em gritar para os seus sentimentos que existia um plano, que a vontade de Deus era maior e melhor. O resultado disso? Deus o ressuscitou, o exaltou, o colocou à sua destra e concedeu a promessa do Espírito Santo.

Certamente ao longo da nossa carreira cristã passamos por situações de Getsêmani, de agonia, onde somos prensados e expostos a situações que aparentemente sobrepõe as nossas forças. Nesse momento a nossa vontade parece contrapor a vontade de Deus, não pensemos que um sofrimento é maior do que o outro, cada um é provado na medida que lhe cabe, o que precisamos estar claros é sobre a finalidade de tal processo.

Sim, na teoria é muito mais fácil do que na prática, em situações assim nos faltam forças até mesmo para orar. Jesus também se sentiu sem forças e embora não tenha obtido a resposta de Deus naquele instante, foi consolado por um anjo até que Deus cumprisse o que lhe prometera. Todas as situações que passamos tem um propósito, cabe a nós a escolha de nos aproximarmos e passarmos com o Pai ou seguirmos sozinhos e não extrairmos a experiência que Deus quer nos dar.

Querido leitor, não podemos deixar que os nossos sentimentos nos governem, mas sim a vontade do Pai. Essa vontade precisa guiar a nossa vida, ela permanece boa, agradável e perfeita. Além disso, hoje nós temos um intercessor fiel:

Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossas fraquezas; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós, sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.” (Romanos 8:26-27)

Ele não apenas nos ouve, mas intercede por nós! Não durma de tristeza, você pode acabar caindo em tentação e fugindo totalmente daquilo que é o desejo de Deus. Persevere aos pés do Senhor, deposite o seu coração e a sua confiança Nele, o lugar de agonia precisa redundar em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo (1Pe 1:7).

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