Igreja em Campina Grande
O Testemunho da Unidade do Corpo de Cristo nesta Cidade.
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UMA CARTA A RESPEITO DA IGREJA LOCAL

Uma Carta Aberta  a Respeito da Igreja Local, Witness Lee e a Controvérsia Sobre The God-Men 

No ano passado, eu, como muitos de vocês, me preocupei com a ação judicial entre a Igreja Local, liderada por Witness Lee, e a Spiritual Counterfeits Project (SCP), Neil T. Duddy e o editor de seu livro, The God-Men. Inicialmente, preocupou-me o fato de que um grupo cristão, isto é, a Igreja Local, levasse outros cristãos à justiça (ou a um tribunal), até que descobri que os líderes da igreja já haviam exaurido todos os meios menos rigorosos para que o livro fosse recolhido e seus erros reconhecidos.

Recentemente foi-me pedido pela Igreja Local para começar uma investigação sobre sua vida e crença, mais rigorosa do que me fora possível nos anos anteriores, enquanto trabalhava na minha Enciclopédia of Amerícan Religions. Comecei essa investigação em 1984, e algumas das averiguações estão inclusas no artigo anexo que apresento para sua consideração.

Parte do meu estudo da Igreja Local implicou na leitura da maioria dos escritos publicados de Witness Lee e das colocações prolongadas de Neil T. Duddy e Brooks Alexander (da SCP). A experiência provou ser das mais dolorosas de minha vida cristã. A medida que comecei a conferir as citações de Witness Lee usadas no livro de Duddy, descobri que The God-Men tomara invariavelmente sentenças dos escritos de Lee e, colocando-as fora do contexto, fez com que dissessem exatamente o oposto do pretendido por ele. Isto foi feito desconsiderando os ensinamentos e afirmações claras a respeito das grandes verdades da fé cristã encontradas por todos os escritos de Lee. Notei também, a tentativa ridícula de equiparar a prática da Igreja Local de orar-ler com o uso de mantras nas religiões orientais. Elas não trazem quaisquer semelhanças. Quando li os depoimentos, especialmente o de Duddy, fiquei chocado ao descobrir o número de substanciais acusações difamatórias feitas contra Lee em The God-Men, que foram integralmente baseadas em narrações não confirmadas de não mais que um único ex-membro hostil. Frequentemente, tomando a palavra de um ex-membro, Duddy não buscou nenhuma verificação independente dos supostos incidentes, antes de fazer sérias acusações de má administração financeira, distúrbios psicológicos entre os membros da Igreja Local e seus atos ilegais tentando molestar ex-membros.

Tendo sido defensor da SCP, especialmente da sua tentativa de proporcionar à comunidade material de qualidade a respeito de religiões alternativas, fiquei verdadeiramente abalado à medida que minha pesquisa prosseguia. Preocupou-me que tal paródia sobre a vida de um grupo de cristãos tivesse sido escrita, que fosse patrocinada por tal organização como a SCP e então publicada por uma editora de tanta reputação como a Inter-Varsity Press. Fiquei ainda mais abalado, entretanto, pelas implicações óbvias de ética envolvidas na produção de tal livro. Os enganos e afirmações errôneas no livro são tão freqüentes e persistentes que forçam a crer que The God-Men é, simplesmente, o produto de uma pobre erudição.

Foi minha infeliz tarefa ter de apresentar estas descobertas à Corte em Oakland, Califórnia, em 28 de maio, durante o julgamento contra Duddy e o editor alemão.

Do volume de material apresentado naquele julgamento, apenas uma pequena porção, embora representativa, pode ser mencionada no documento anexo. Entretanto, à luz daquele material, só posso concluir que nós, na comunidade cristã evangélica, cometemos um grande erro para com a Igreja Local e devemos dedicar-nos, imediatamente, a tentar desfazer os danos tanto quanto pudermos. Devemos começar com nosso repúdio público a The God-Men e a retirada de circulação de todos os artigos e panfletos que foram escritos baseados nele. Podemos também começar a considerar novamente os ensinamentos da Igreja Local. Eu, pessoalmente, fui incapaz de encontrar um único ponto sobre o qual ela se desvie de qualquer doutrina essencial da fé cristã, embora tenha diferenças em assuntos que todos nós consideramos secundários, isto é, preocupações doutrinárias sobre as quais os cristãos podem discordar sem expulsar uns aos outros da comunidade cristã, em particular, eclesiologia e devoção.

Espero que vocês tenham pela questão da Igreja Local sua séria consideração. Em um futuro próximo, espero que seja publicada uma transcrição completa do julgamento, para que vocês tenham acesso a todo o material sobre o qual eu e os outros chegamos à nossa conclusão a respeito da natureza totalmente incorreta e difamatória de The God-Men.

 Seus em Cristo.

J. GORDON MELTON

P.S. Pode ser que a contínua controvérsia entre a SCP e a Igreja Local tenha despertado dúvida em sua mente sobre a adequação dos outros trabalhos de Spíritual Counterfeits Project. Espero atenuar algumas das preocupações, à medida que ainda creio que The God-Men seja uma obra atípica da SCP. Recentemente, fui co-autor de um livro Juntamente com um dos membros da diretoria da SCP, Ronald Enroth. No apêndice, escrito durante as minhas descobertas sobre The God-Men, ainda pude recomendar toda a sua obra à Igreja. Espero continuar capaz de recomendá-la no futuro.

Igreja Local: Uma Reflexão Sobre Seus Ensinamentos

Durante os últimos anos, a Igreja Local e o seu mais proeminente mestre tornaram-se o foco de uma intensa controvérsia gerada por vários livros criticando as crenças e práticas da Igreja. As acusações mais sérias contra Lee e a Igreja foram veiculadas em The God-Men (1981) por Neil T. Duddy e a SCP (Spiritual Counterfeits Project)1, que objetou a posição da Igreja Local como um grupo cristão ortodoxo e fundamentalista, e que crê na Bíblia. Essas acusações são tão sérias e tão amplas em sua extensão, tocando quase todos os aspectos da vida da Igreja Local, que se tornaram o motivo de uma grande ação judicial e uma preocupação da grande comunidade cristã.

Meu interesse particular na Igreja Local começou no início dos anos 70, depois de adquirir vários livros de Watchman Nee, os quais, apesar de discordar de uma série de articularidades, achei a leitura adequada. Em meados dos nos 70, descobri a Igreja em Chicago e assisti a diversas reuniões, onde obtive alguns dos livros de Witness Lee. Estas visitas, que ocorreram num período de vários anos, proveram a base para o verbete a respeito da Igreja Local na Enciclopédia of American Religions (1979)2. Desde aquela época, periodicamente, tenho visitado a livraria da Igreja em Chicago, que contém uma ampla seleção de literatura cristã, especialmente alguns livros de editores evangélicos ingleses difíceis de encontrar. Em anos mais recentes, intensifiquei meu estudo da Igreja Local, em parte por causa da controvérsia envolvendo os ataques a ela e, em parte, por causa de viagens constantes que me têm permitido visitar as reuniões da Igreja Local em outras cidades e observar e participar da sua adoração. Embora sendo um intruso (sou ministro de Igreja Metodista Unida), os membros e presbíteros na Igreja Local sempre me deram boas-vindas às suas reuniões e livremente responderam a todas as minhas perguntas.

Ao mesmo tempo, na minha qualidade de Diretor do Instituto para o Estudo da Religião Americana, estive também escrevendo sobre as religiões alternativas na América e familiarizei-me com as publicações do Spirit Counterfeits Project (SCP), um dentre mais de cem ministérios cristãos para pessoas em religiões não cristã heréticas. Fiquei impressionado com sua literatura que como um todo, de melhor qualidade do que a maioria vários ministérios estavam produzindo a respeito das novas religiões.

Mas, minhas experiências com a Igreja Local deixaram-me um pouco surpreso, quando comecei a vê-la associada outras religiões alternativas controversas e classificadas como "grupos tipo seita", particularmente na literatura da SCP3. Fui levado a crer que a Igreja Local era bastante ortodoxa tendo a maioria da sua doutrina derivado diretamente Irmãos de Plymouth, de cuja ortodoxia ninguém duvidava. Parecia diferir apenas em sua defesa do princípio de "uma igreja para uma comunidade local", algumas práticas pietistas, algo diferente (todavia aceitáveis) como orar-ler a Escritura e o uso de alguns jargões arcaicos, que foi previamente utilizados na teologia dos patriarcas da igreja Grega, no seu falar sobre Deus (i.e. amalgamar).

A medida em que a controvérsia se avolumava, comecei a ler, com alguma profundidade, a literatura anti-igreja Local, que me levou aos muitos livros de Witness Lee e vários itens publicados pela Igreja Local em resposta aos ataques. Como resultado daquele estudo, fiquei convencido que a minha avaliação original da Igreja Local era verdadeira e que os críticos, particularmente Neil Duddy, tinham feito juízo errôneo e dado à comunidade cristã uma impressão tremendamente falsa da Igreja Local. Fiquei convencido de que, embora haja provavelmente alguns pontos que possam exigir algum esclarecimento, e outros, alguma critica como um todo, as crenças e práticas da Igreja Local estão bem dentro dos limites da ortodoxia cristã. A crítica de Duddy à Igreja Local é tão extensa que seria necessário um livro duas vezes maior do que o seu, para avaliar suas muitas acusações. Por isso, escolhi focalizar um grupo importante de críticas relativas à visão da Igreja Local sobre a autoridade da Bíblia. A compreensão que Witness Lee tem da Bíblia é um ponto importante ao se avaliar a alegação da Igreja Local em ser um grupo cristão evangélico. Igualmente importante, o ataque de Duddy sobre a legitimidade dessa compreensão é ilustrativo do seu método de abordagem a todos os escritos de Lee, e, creio eu, põe em questão a adequabilidade de ambos: o método e o conteúdo do seu trabalho.

Considerações Preliminares 

Voltando para o tópico principal, duas considerações proporcionarão o panorama da controvérsia. Primeiro, a natureza da controvérsia é dupla. The God-Men fez dois tipos separados de acusações contra Lee e a Igreja Local. Um era teológico. Duddy acusou Lee de uma série de significativos desvios doutrinários da fé e de pensamentos cristãos. Entretanto, havia também um segundo grupo de acusações que tratavam com importantes pontos não teológicos. O livro de Duddy acusou Lee e a Igreja Local, para mencionar apenas alguns:

(1) manipulações financeiras duvidosas;

(2) confrontos violentos com outros grupos cristãos;

(3) falta de franqueza em suas apresentações a prováveis futuros membros;

(4) prática de atos de vandalismo a casa de ex-membros; e

(5) ensinar as pessoas a desconsiderarem a lei moral. E com este segundo grupo de acusações que se ocupa a ação judicial entre a Igreja Local, o Spiritual Counterfeits Project e o editor do livro.

A caracterização do processo como essencialmente um julgamento de heresia4 não procede, conforme os documentos do Tribunal. O caso de maneira nenhuma afetou nosso privilégio de fazer avaliações e reflexões teológicas negativas sobre os escritos e os ensinamentos dos grupos não cristãos ou heréticos. Entretanto, o processo requer que tal escrito crítico seja feito dentro dos limites da dissertação civilizada e das leis contra calúnia e difamação. The God-Men fez uma série de acusações sobre o caráter de Witness Lee e sobre os líderes da Igreja Local. Estas caracterizações, que foram muito além de quaisquer pontos teológicos, eram tanto difamatórias quanto caluniosas. A ação requerida pela Igreja Local questionava a veracidade de uma série de afirmações de Duddy, e este admitiu, sob juramento, que não verificou sua legitimidade e que não pode fazê-lo agora.

Segundo, para avaliar adequadamente o pensamento de Witness Lee, deve-se entender a natureza dos seus escritos. Lee não é um teólogo sistemático. Ele é, acima de tudo, um mestre que fala espontaneamente a audiências públicas, a partir de notas preparadas. Seus livros e outros escritos consistem, em sua quase totalidade, em transcrições datilografadas de suas palestras. Como tais, elas assemelham-se com material homilético e devocional. Lee nunca escreveu um tratado teológico, além de breves panfletos, visando firmar posição em um determinado ponto; nem apareceu até agora um teólogo sistemático, na Igreja Local, que tenha estado nos Estados Unidos há aproximadamente vinte anos. As apresentações mais sistemáticas do seu pensamento podem ser encontradas em obras como Gospel Outiines5 e Outlines for Training6 em quatro volumes, nenhuma das quais, infelizmente, tinham aparecido antes de Duddy ter completado seu livro. Estas, entretanto, meramente expõem o que está evidente na leitura de uma seleção dos livros de Lee. As afirmações básicas que Lee faz e que são amplamente ensinadas por toda a Igreja Local reaparecem regularmente em seus livros e em outras literaturas da Igreja Local.

A intenção homilética é também muito evidente em todos os escritos de Lee. Fiel ao seu propósito central de ensinar o evangelho, ao que é basicamente uma audiência leiga, Lee concentra-se em aspectos mais práticos dos ensinamentos cristãos. Seus livros, a maioria dos quais são comentários sobre a Escritura, deveriam ser classificados como “exposição" e não como "exegese". Embora a obra exegética esteja atrás da expositóría, ela não é facilmente visível. Ele também dá pouco espaço para pontos teológicos formais. Por exemplo: ele raramente discute as doutrinas mais abstraias a respeito de Deus, antes, escolhe enfatizar o trabalho de Deus na comunidade humana. Isto não quer dizer que ele não faz as mais abstratas afirmações acerca de Deus, mas mostra que ele tem prioridade e preocupações imediatas diferentes daquelas de um professor teológico. Sua posição é resumida e seu estilo claramente ilustrado numa passagem do seu Estudo-Vida de Gêneses: 

"Gênesis 1:26 revela que foi realizada uma conferência pela Deidade e entre a Deidade. Dizemos "entre" porque Deus é triúno. Usando termos humanos, podemos dizer que há três Pessoas na Deidade, um Deus com três Pessoas. Não posso explicar isso. Posso apenas dizer que Deus é triúno, que temos um Deus com três Pessoas. Foi realizada uma conferência por estas três Pessoas da Deidade, e uma decisão foi tomada..." assim, ele prossegue com sua exposição da criação. 

 Duddy reconhece e comenta a respeito da natureza homilética dos escritos de Lee, mas passa, então, a impor sobre eles um conjunto de suposições teológicas e metafísicas, suposições muito estranhas ao mundo do pensamento de Lee. Lee repudiou, especificamente, estas especulações feitas por Duddy e negou as conclusões que ele delas tirou. Duddy repetidamente criticou Lee a partir da perspectiva da sua estrutura imposta, enquanto ignorava os escritos de Lee, que contradiziam diretamente suas conclusões. Embora Lee nunca tenha escrito sistematicamente, um arranjo das suas afirmações centrais sobre a fé pode ser facilmente feito a partir dos seus escritos. A Igreja Local publicou, também, uma declaração formal de suas crenças e práticas, que podem ser conferidas em sua consistência com os ensinamentos de seu mais proeminente porta-voz.

Deve-se também notar que, como a maioria dos oradores públicos (incluindo a maioria dos pregadores), Lee é propenso a usar hipérboles, exageros para enfatizar um ponto específico sobre o qual está pregando. Tais afirmações hiperbólicas, extraídas do seu contexto, podem, ocasionalmente, transmitir idéias totalmente opostas ao pensamento de Lee. Uma das principais falhas no tratado de Duddy é apresentar tais afirmações hiperbólicas fora do contexto, enquanto ignora a afirmação franca de Lee em um determinado tópico. Exemplos serão citados abaixo:

O "Background" da Igreja Local 

Duddy começa sua apresentação do movimento da Igreja Local na década de 1920 com Watchman Nee, que, em 1922, formava uma igreja doméstica típica dos Irmãos de Plymouth. Subsequentemente, ele foi apresentado aos escritos de John Nelson Darby, Andrew Murray e Jessie Penn-Lewis. No final da década de 20, Nee terminou seu primeiro livro importante, The Spirítual Man, mudou-se para Xangai, e começou seu movimento independente. Esta breve revisão histórica truncada divorciou efetivamente as Igrejas Locais das suas raízes na história evangélica cristã uma história que tanto Nee quanto Lee claramente reconhecem. Posteriormente, Duddy criticou Lee por sustentai idéias tiradas diretamente do pensamento de escritores no coração da tradição evangélica.

Da mesma maneira, a Igreja Local se enxerga como parte da história da restauração do cristianismo bíblico, que começou com a Reforma e continuou através de George Fox e os Quacres, Zinzendorf e os Morávios, Wesley e os Metodistas a John Nelson Darby e os Irmãos de Plymonth. Cada um dos movimentos anteriormente citados restaurou algo que fora perdido durante os anos de dominação Católica Romana da Igreja e, todavia, cada um ficou parcialmente defeituoso. Na história, cada um representou o mover de Deus num determinado momento, embora cada um tivesse perdido a substância espiritual de sua primeira geração e/ou tenha se desviado daquilo que Nee e Lee viram como um testemunho claro da verdade. Um tema principal na restauração foi o movimento para fora do governo episcopal católico e da liderança de bispos e padres, em direção à forma bíblica de governo de igreja local nas mãos dos presbíteros.

Darby e os Irmãos Unidos representam um passo maior na restauração. Rejeitando o denominacionalismo e o clericalismo, Darby optou por uma comunhão de assembléias locais, cada uma encabeçada por presbíteros não ordenados, que ensinavam e dirigiam a ceia do Senhor. Na comunhão como um todo, Darby estava entre os primeiros de um grupo de obreiros que viajavam de igreja em igreja, agindo como um supervisor e evangelista para a igreja como um todo. Assim como seus contemporâneos, que fundaram a Igreja dos Discípulos de Cristo nos Estados Unidos, Darby viu Deus rejeitando as divisões escandalosas do cristianismo e conclamou os cristãos para saírem do denominacionalismo (e denominações) para a única comunhão dos Irmãos (ou Discípulos, conforme o caso). Darby não viu a si próprio como alguém que formava uma nova seita, ao contrário, ele estava reformulando a única Igreja de Cristo verdadeira em sua base bíblica e chamando os cristãos para dentro de sua expressão organizada.

Nee foi criado em uma família cristã e, na sua infância, experimentou tanto a igreja Congregacional quanto a Metodista. Logo cedo em sua vida ele experimentou uma variedade de tradições evangélicas britânicas independentes e, por fim, associou-se a um ramo exclusivo dos Irmãos de Plymouth. Seu rompimento com esses irmãos veio após ter "partido o pão" com um outro grupo liderado por T. Austin-Sparks. Lee foi também um membro dos Irmãos de Plymouth antes de se unir a Nee, no movimento da Igreja Local. Eles compartilhavam com os Irmãos algumas idéias, muitas vezes severas, sobre denominações, denominacionalismo e outras igrejas.

Não se pode entender separadamente a Igreja Local de suas raízes e participação contínua no movimento iniciado por Darby e seus colegas. A Igreja tomou dos Irmãos Unidos a maioria de suas crenças (por exemplo: dispensacionalismo), organizações e práticas. Os mais populares autores extra-Igreja Local lidos pêlos membros do movimento são os Irmãos Unidos e os escritores evangélicos fortemente influenciados por esses irmãos, os quais influenciaram profundamente a Nee e Lee.

A história da restauração, como entendida e experimentada por Lee e a Igreja Local, tem um efeito duplo. Ela posiciona a Igreja Local no centro do fluir da história cristã e se vê relacionada com e sendo uma parte dessa história. Os membros reconhecem a contribuição dos grandes autores e líderes cristãos do passado e do presente e sua unidade com os cristãos em todas as Igrejas do cristianismo. Sobre esta base os membros da Igreja Local podem ter e têm comunhão com os crentes nas denominações.

Também é verdade, entretanto, que a Igreja Local afirma que o mover principal de Deus hoje está em e ocorre através do movimento da Igreja Local. Enquanto toma muito dos estágios anteriores da restauração, ela acrescentou a verdade adicional: a unidade da igreja baseada no princípio de uma igreja em cada cidade. Esta noção simples diferencia mais claramente a Igreja Local dos Irmãos Unidos, com quem ela compartilha uma forma similar de governo da igreja.

Num modo prático, esta única doutrina tem limitado, pelo menos até certo nível, suas relações com igrejas denominacíonais. Deus está, crêem eles, levando a Igreja Universal a uma expressão visível da Sua unidade baseada na localidade. Desde que divisões denominacionais estão erradas, a Igreja Local não coopera com estruturas denominacionais. Todavia, uma vez que a unidade da Igreja inclui todos os cristãos, e que a Igreja Local reconhece irmão e irmã cristãos apesar da sua participação numa igreja denominacional, os membros da Igreja Local não vêem nenhuma barreira à sua comunhão com cristãos individuais de todas as denominações. Assim, a Igreja Local dá as boas-vindas a não membros em sua mesa de comunhão e, embora, não seja adotada cooperação de grupo, os membros da Igreja Local mantém fortes laços pessoais com cristãos de fora. 

A Autoridade Bíblia na Igreja 

Uma certa compreensão das raízes históricas da Igreja Local provê um ponto de partida para uma ponderação da compreensão que Witness Lee tem da Bíblia e da autoridade bíblica. Os Irmãos Unidos e os grupos evangélicos correlatos eram, antes de tudo, estudiosos da Bíblia. Tanto Nee quanto Lee seguiram este padrão, embora Nee fosse mais propenso a escritos sistemáticos. Lee surgiu primordialmente como um expositor bíblico e tipicamente tem concentrado seu ensinamento numa apresentação da Escritura capítulo por capítulo. Entretanto, é uma alegação de Duddy que, na verdade, Lee sustém uma visão muito questionável da Escritura. Segundo The God-Men, Lee degrada a Escritura e sua autoridade a um ponto inaceitável aos cristãos evangélicos. Em outras acusações, ele acusa Lee de:

(1) negar a *revelação preposicional;

(2) desdenhar qualquer necessidade de guardar a lei moral (especificamente os Dez Mandamentos) e, com efeito, desviar as pessoas da ética bíblica;

(3) depreciar o pensamento, o estudo e o papel da mente na leitura da Bíblia;

(4) no lugar de autoridade bíblica, Lee coloca-se como um oráculo da nova revelação. Cada uma dessas acusações serão consideradas abaixo. 

* Revelação Proposicional 

Segundo Duddy, Lee nega a *revelação preposicional. Como seu principal exemplo de tal aviltamento da autoridade das Escrituras, Duddy cita (pg. 41) três frases do livro de Lee: Christ versus Religion. A seção inteira de onde Duddy extraiu as frases estão transcritas abaixo com a porção citada 

N.T. — do inglês "propositional revelation”.

por Duddy em itálico: 

Romanos 7:6 diz: "Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra" (V.R.A). Ora, sabemos o que significa a palavra "letra" aqui: é a Bíblia escrita. Hoje, devemos servir o Senhor vivo com novidade no espírito, não segundo a caducidade da Bíblia escrita. Posso dizer isto ousadamente, porque sou um pequeno seguidor desse mais ousado, o apóstolo Paulo. Agora servimos não segundo a caducidade do código escrito, a Bíblia escrita, mas segundo a novidade do espírito. Por quê? Porque no espírito está Cristo, enquanto que no código escrito está a religião. Isto é Cristo versus a religião.

Que é ser religioso? Ser religioso é simplesmente ser correio, bíblico e fundamentalista, sem, todavia, a presença de Cristo. Se carecemos da Sua presença, não importa o quão bíblicos sejamos, somos simplesmente religiosos. Paulo, nestes dois versículos de Romanos, lançou um sólido fundamento para Cristo versus religião Hoje, nosso culto, nosso trabalho e até mesmo a nossa vida devem ser totalmente no espírito, não meramente segundo as letras da Bíblia escrita. Sei que, quando digo isso, corro, um sério risco. Serei acusado da heresia por desviar as pessoas para longe da Bíblia. Mas eu simplesmente cito estas duas passagens da Escritura: Romanos 2:29 e 7:6. Todos devem admitir que a palavra "letra", nestas passagens, refere-se às Escrituras escritas. Não pode haver discussão. Cristo é versus religião: Cristo é versus o código escrito. Podemos ter a citação correta do código escrito e, todavia, termos falta de Cristo, assim como os fariseus e os escribas nos tempos antigos. Devemos estar alerta para não prestarmos muita atenção ao código escrito. Se o fizermos, será totalmente possível e extremamente provável que perderemos Cristo. O único caminho da segurança é contemplar "com o rosto desvendado a glória do Senhor" (2 Co 3:18).

Enquanto as duas frases, tomadas separadamente, parecem degradar a Escritura, estas não se encontram sós. No texto de Lee elas se tornam uma parte não de uma depreciação da Escritura, mas de um ataque à idolatria, a idolatria que coloca o código escrito entre nós e Deus, de perdermos Deus por seguirmos uma religião fabricada pelo homem — seja ela á lei do Velho Testamento ou uma tradição cristã mais moderna. Ao extrair as duas frases do meio do parágrafo de Lee, Duddy distorce completamente o que Lee quer dizer, e sua hipérbole é feita para significar o oposto do pretendido por Lee.

Mas, que ensina Lee sobre a Bíblia como uma revelação de Deus? Ele afirma aderir à declaração das crenças da Igreja Local: "Cremos que a Bíblia Sagrada é a revelação divina completa, verbalmente inspirada pelo Espírito Santo". Mas, será que ele segue esse posicionamento em suas palestras? Duddy diz que não: "Para Witness Lee, estamos liberados das obrigações de acatar a Bíblia escrita por causa de sua vaga inferioridade"

Após um ligeiro exame dos escritos de Lee, é-se imediatamente levado a espantar-se com a afirmação de Duddy. A maioria das volumosas obras de Lee são palestras expositoras sobre os livros da Bíblia. Ele dispendeu toda sua vida fazendo conferências e ensinando sobre a Escritura. Será essa a atividade de uma pessoa para quem a Bíblia assumiu uma posição secundária, para quem a palavra escrita possui meramente uma vaga inferioridade? Se assim fosse, Lee seria verdadeiramente singular. Ele seria a única pessoa que conheço a seguir tal rota. Porém, num exame mais acurado, que ele ensinou sobre a Bíblia? Seus ensinamentos conformam-se à declaração de fé da Igreja Local ou à avaliação de Duddy? Por exemplo, na sua exposição de Gênesis, ele ensinoo: 

Não despreze nenhuma linha na Bíblia, porque a Bíblia proveio da boca de Deus. Cada palavra, oração, parágrafo e frase proveio da Sua boca. É algo sério ler uma frase na Bíblia. Você pode provar isso lendo Gênesis 2:5-6 muitas vezes com um espírito de oração. Se você orar e ler estes versículos desta maneira, você será nutrido. Entretanto, se fizer o mesmo com algumas linhas do Los Angeles Times* ou o Santa Ana Register* você será morto. Há uma grande diferença entre escritos seculares e a Bíblia Sagrada. Toda palavra na Bíblia é santa; é algo proveniente de Deus.

Então, ele diz em sua dissertação a respeito de Nóé: 

Depois que Noé recebeu a revelação, ele imediatamente creu na Palavra de Deus (Hb 11:7). De acordo com a Bíblia, crer sempre significa crer através da Palavra. Em Romanos 10:14, Paulo perguntou: "...E como crerão Naquele de Quem não ouviram?" (V.R.C). Sem a pregação da Palavra, é difícil as pessoas crerem. O crer vem pelo ouvir a Palavra. Assim, Romanos 10:17 diz: "De sorte que a fé é pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Deus' (V.R.C.). Sem dúvida, Noé ouviu a Palavra de Deus e creu na Palavra que ouviu. Não diga que você não tem fé. Não diga que você não pode crer... 

Suas palavras são mais consistentes em sua abertura de estudo: 

Louvado seja o Senhor pela Bíblia! Louvado seja o Senhor pela vida, a vida divina, a vida eterna que está contida neste Livro! E louvado seja o Senhor por nos ter proporcionado esta oportunidade de termos um estudo-vida da Sua Palavra divina com uma congregação tão grande!...

Que é a Bíblia? Sabemos que a palavra "Bíblia" significa "O Livro". Mas, que é este Livro? A própria Bíblia diz: "toda escritura" ou "toda escritura é soprada por Deus" (2 Tm 3:16 - gr.). A Bíblia é o sopro de Deus. Não é meramente a palavra ou o pensamento de Deus, mas o  

* N.T. — Jornais diários de Los Angeles e Santa Ana, cidades do estado da Califórnia - USA. 

próprio sopro de Deus. Tudo o que expiramos é o nosso sopro e este sopro procede do nosso ser. Assim, a Bíblia, como o sopro de Deus, é algo expirado do ser de Deus. A Bíblia contém o próprio elemento de Deus. Tudo o que Deus é está contido neste livro divino. Deus é luz, vida, amor, poder, sabedoria e muitos outros itens. Todos estes itens do que Deus é foram soprados para dentro da Bíblia. Sempre que nos achegamos a este Livro com o coração e o espírito abertos, podemos tocar, imediatamente, algo divino: não simples pensamentos, conceitos, conhecimento, palavras ou frases, mas algo mais profundo do que todas estas coisas. Nós tocamos o próprio Deus. 

Mais tarde, ainda, ele diz as pessoas: 

"A Bíblia é um livro divino composto com os conceitos divinos."

"A Bíblia é uma revelação completa."

Para que não pensemos que estas preleções sobre Gênesis, que ocorreram em vários anos da vida de Lee, em princípios dos anos 70, são únicas, compare-as com esta citação. Em meio a uma dissertação das práticas de adoração da Igreja Local, Lee diz: 

Alguns podem acusar-nos de sermos liberais demais (por não ter nenhuma opinião em muitos assuntos do que pode acontecer durante a adoração); eles podem chamar-nos de "cristãos liberais". Mas, cuidado, este termo: "cristão liberal" refere-se aos modernistas que não crêem que a Bíblia é a revelação divina, nem que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que consumou a redenção, ressuscitou e ascendeu aos céus. Esses são os liberais; nós não. Nós morreríamos pela Bíblia. Cremos que a Bíblia é a Palavra divina de Deus e cremos que o nosso Senhor Jesus Cristo é o próprio Deus encarnado para ser um homem, que morreu na cruz pêlos nossos pecados e foi ressuscitado fisicamente, espiritualmente e literalmente.

A Bíblia e a Moral 

A falha de Duddy ao não considerar o papel central da Escritura e a autoridade bíblica nos escritos de Lee o levam a dar uma falsa impressão da compreensão que Lee tem do papel da Bíblia em guiar os cristãos e em estabelecer padrões morais. Ele diz: "Lee considera os padrões éticos encontrados na Bíblia como sugestões possivelmente úteis, mas nunca como linhas-mestras definitivas"18. Ele acrescenta: "Constantemente, conselho de Witness Lee desvia os paroquianos da ética bíblica", no que se refere "ao comportamento e ensinamentos que encorajam responsabilidade e ação positiva," e, mais tarde, ele afirma: "Lee arrazoa que, porque os cristãos também são divinos, eles não deveriam estar sujeitos às leis morais externas". Para ilustrar esta posição, Duddy refere-se ao capítulo quatro do livro de Lee: Christ and the Church Revealed and Typified in the Psalms. Lee lança a hipótese de que uma progressão espiritual é mostrada em Salmos e inclui um diagrama para ilustrar sua posição. Na página 42 de The God-Men, Duddy reproduz o que ele diz ser o diagrama na pagina 40 do livro de Lee, mas, ao examinar-se o diagrama no livro de Duddy, ele está significativamente modificado em relação àquele publicado por Lee. Primeiramente, parte do diagrama de Lee foi removido e, o mais importante, foram acrescentadas palavras para induzir que Lee dividiu os Salmos em aqueles que foram humanamente inspirados e os que foram divinamente inspirados. Entretanto, em nenhum lugar neste livro ou em seus outros escritos, Lee traça tal distinção. Lee traça uma distinção entre vários Salmos, a mesma distinção que os cristãos amplamente delineiam entre o Velho e o Novo Testamentos — aqueles que tomam a lei como seu centro e base e os que conduzem em direção a Cristo, isto é, o Ungido de Deus, como sua base. Todos são inspirados por Deus, mas Cristo é maior do que a lei. Lee está simplesmente reiterando o que o dispensacionalismo tem ensinado desde Darby, que a dispensação da lei foi seguida pela dispensação da graça e que esta última foi melhor para nós.

Mas quando Lee está discutindo moral, não a tipologia de Cristo no Velho Testamento, que ele diz sobre a responsabilidade do cristão diante da lei moral? Essa questão, como se pode esperar, surge continuamente em seus comentários sobre o Evangelho de Mateus. Por exemplo, em sua exposição de Mateus 5:17, ele diz: 

Antes de Cristo vir, existia a lei com o fortalecimento através dos profetas. Por que, então, ainda havia a necessidade da lei do reino dos céus? A razão é que as exigências da velha lei não eram suficientemente elevadas. Os requisitos da velha lei não eram completos. Tome como exemplo o assassinato. A velha lei ordenava-nos a não matar (Ex 20:13), mas, não dizia nem uma palavra sobre a ira. Se você matasse alguém, você seria condenado pela lei de Moisés. Mas não importava o quanto estivesse irado com alguém, desde que não o matasse, você não seria condenado pela lei de Moisés... De acordo com a lei do reino dos céus, somos proibidos de nos irarmos contra os nossos irmãos. Nos versículos 21 e 22, o Senhor disse: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento...". Por isso, a lei do reino dos céus é mais elevada do que a lei da velha dispensaçâo. 

Estes pontos são reiterados em The Knowledge of Life: A lei de Deus é composta dos estatutos de Deus, e sua natureza é santa, Justa e boa. Esta lei, estando fora de nós, capacita-nos a saber aquilo que Deus condena e o que Ele justifica; ela exige que rejeitemos o que Deus condena e façamos o que Ele justifica para concordar com os estatutos santos, justos e bons de Deus. 

E a isto acrescenta em The Economy of God: 

Consideremos o Velho Testamento com a lei e os profetas. Num certo sentido, o Velho Testamento foi chamado até de a lei e os profetas (Mt 7:12; 22:40). Qual é a diferença entre os dois? A lei é um conjunto de regras fixas que não podem ser mudadas. Por exemplo: um item da lei exige que todos honrem seus pais. Esta é uma regra imutável, e todos devem guardá-la. Não há qualquer necessidade de buscar orientação sobre honrar os próprios pais; esta lei é fixa. Outra regra é: "Não roubarás". Esta é também uma regra fixa, estabelecida. Não há necessidade de orar: "Senhor, dize-me se está ou não em Tua mente roubar. Dá-me orientação sobre o roubar". Não é preciso buscar tal orientação. Este mesmo princípio se aplica ao restante dos Dez Mandamentos. Assim, a lei é um conjunto de regras fixas que todos devem guardar. Ela não muda com cada indivíduo. Não importa se a pessoa é um homem ou uma mulher, velho ou Jovem, rico ou pobre, ele é forçado a guardar as regras. 

Em contraste com as afirmações de Duddy, Lee frequentemente apresenta a lei como um padrão de comportamento e uma linha mestra de conduta inequívoca para as pessoas a quem ele fala e escreve. 

Racionalidade e o Uso da Mente 

Novamente Duddy ataca Lee por ensinar que a Escritura é espiritual e, portanto, além da compreensão racional. Duddy cita várias frases de Lee para dar a entender o que ele diz ser a posição de Lee. A maioria das citações, entretanto, vem do capítulo sete de Christ versus Religion onde Lee não está discutindo o uso da mente, mas do papel da Escritura em nos levar a um relacionamento com Cristo. Lee frequentemente encontrou cristãos que nunca se moveram além da Palavra escrita para a realidade revelada pela Escritura. Eles conhecem as Escrituras, mas não o Senhor de quem é falado em suas páginas. Por isso, ele encoraja o uso devocional das Escrituras em oração: "Não devemos tomar a Palavra de Deus meramente lendo, mas por meio de oração e de toda oração.” Entretanto, quando Lee se volta para dissertar sobre os resultados do estudo, do uso da mente, da educação e assuntos correlates, o que disse ele para os membros da Igreja Local? Em The Experience of Life, por exemplo, ele afirma: 

O segundo meio de conhecermos a vontade de Deus é a Bíblia. A criação de Deus (o primeiro meio) é apenas uma parte da obra de Deus; ela não é suficientemente clara para revelar Sua vontade. A Bíblia, como a Palavra de Deus, diz-nos completa e claramente o que Deus deseja fazer no universo e qual é o Seu propósito. Portanto, a Bíblia é a revelação mais clara a respeito da vontade de Deus. Devemos estudar a Bíblia e estarmos familiarizados com ela para entendermos a vontade de Deus.

Algumas páginas adiante, ele começa a falar da necessidade de se treinar a mente para entender e ser capaz de interpretar a vontade de Deus para a nossa vida, e critica aqueles que parecem deixar sua acuidade mental à porta da igreja. Ele diz: 

É lamentável que, com muitos irmãos e irmãs, exista uma séria carência de treinamento da mente na esfera espiritual. Alguns irmãos, ao predizerem as flutuações no mercado de ações e calcular lucros e perdas, têm mentes hábeis. Também algumas irmãs, ao tagarelarem com seus vizinhos, expõem uma mente muito ativa. Mas quando elas sentam-se na reunião e ouvem uma mensagem, são incapazes de entendê-la. 

Ele termina observando a responsabilidade dos cristãos em exercitarem suas mentes em assuntos espirituais, assim como nos do mundo.

Mas o exercício da mente é importante em todos os assuntos, Lee reitera. Dirigindo-se aos jovens na igreja, ele observa: 

Não somos como os filhos de Israel, porque não podemos, literalmente, trabalhar na boa terra. Em vez disso, os jovens, hoje, devem estudar e adquirir uma boa educação. Estudar é o mesmo que arar a terra e formar-se na faculdade é o mesmo que colher uma colheita. Jovens, estudar é o dever de vocês e vocês devem cumpri-lo. 

Então, para aqueles que não entenderam, ele novamente abrange a matéria: 

Sob a soberania de Deus, os jovens, hoje, devem estudar e concluir os estudos. Se quisermos ter a vida apropriada da igreja, todos os nossos jovens devem concluir a faculdade. Deixar de concluir a faculdade é como semear sem ter uma colheita. 

A Autoridade de Witness Lee

Versus

a Autoridade da Bíblia 

A imagem que Duddy faz da depreciação da autoridade da Escritura pela Igreja Local, age associada com seu entendimento da autoridade de Witness Lee: "Embora a Igreja Local negue que Lee seja um "papa" autocrático e afirme que a Escritura é a sua autoridade máxima, há alguma razão para ceticismo". Não apenas Lee é o principal mestre da Igreja Local, mas Duddy prossegue e acusa a Igreja Local de crer que Lee é o único oráculo vivo de Deus hoje. Então, argumentando que Lee patrocina a sua crença, Duddy cita Lee como se este dissesse: 

Quando eu ordeno no meu espírito, o Senhor ordena comigo, pois sou um espírito com o Senhor... É isto ensinamento meu? Não! E a revelação de Deus na Bíblia Isto esteve enterrado, esteve coberto por séculos, mas pela Sua misericórdia foi descoberto. 

Estas citações, que foram tiradas do livro de Lee: How to Meet, estão entre as mais irresponsáveis citações errôneas sobre Lee em The God-Men. Colocadas no contexto de argumentação de Duddy sobre a autoridade de Lee na Igreja Local, elas parecem mostrar Lee jactando-se do seu papel como um oráculo e, até mesmo, reivindicando suporte bíblico para tanto. Entretanto, quando lidas nos capítulos dos quais foram tiradas, elas significam algo muito diferente. Tomaremos as duas citações na ordem inversa, pois esta é a ordem de sua aparição no escrito de Lee. 

A segunda citação aparece na página 94 de How to Meet e começa no último parágrafo do capítulo nove. Lee gastara simplesmente nove páginas explicando os capítulos 12, 13 e 14 da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, na qual ele está dissertando sobre o maior dom do Espírito (profecia) e o caminho mais excelente (amor). Ele resume sua exposição dizendo: "E este (o ensinamento de Paulo sobre a profecia e o amor) ensinamento meu (i.e. de Lee)? Não! É a revelação de Deus na Bíblia. Isto esteve enterrado, esteve coberto por séculos, mas pela Sua misericórdia foi descoberto. Este livro de l Coríntios está hoje tão aberto para nós..." Não é o ensinamento de Lee que está sendo identificado como ensinamento de Deus, mas as palavras da carta de Paulo, isto é, a Bíblia.

A outra citação aparece no fim de um parágrafo na página 97. Lee está explicando l Coríntios 7:10: "Ora, aos casados, ordeno, não eu mas o Senhor..." (V.R.A.). Note que, quem ordena neste versículo é Paulo. Então, Lee conclui sua dissertação: "Ele (Paulo) era um com o Senhor no seu espírito; quando ele ordenava no seu espírito, ele podia dizer: não eu, mas o Senhor! Quando eu ordeno no meu espírito, o Senhor ordena comigo, porque sou um espírito com o Senhor". Trazida de volta ao seu contexto, fica claro que Lee está tentando parafrasear Paulo em vez de reivindicar qualquer "status" profético para si próprio.

Lee, sem dúvida, tem uma honrada posição de liderança no movimento da Igreja Local. Ele foi o fundador do movimento nos Estados Unidos e tem sido seu mestre-orador mais talentoso. Assim como muitos movimentos de primeira geração, ele tem dominado sua vida assim como Wesley dominou o Metodismo iniciante e outros líderes fundadores dominaram novas denominações em suas primeiras décadas. Entretanto, ele não reivindica nada mais para si próprio além do papel de um mestre bíblico. (Lee, é claro, tem uma posição formal como o chefe do Living Stream Ministry, uma organização de ensino independente relacionada com Igreja Local, mas seu papel administrativo é outro tópico relacionado à organização total da Igreja e encontra-se além da esfera deste artigo). 

Conclusão 

Embora este artigo tenha selecionado apenas um pequeno conjunto de tópicos discutidos por Duddy em The God-Men, foi, creio eu, claramente demonstrado que Duddy apresentou WÍtness Lee de maneira a parecer ensinar o oposto daquilo que ele tem constantemente ensinado todos esses anos. Lee tem, invariavelmente, ensinado que:

(1) a Escritura é a Palavra de Deus, verbalmente inspirada; que

(2) as leis morais do Velho e do Novo Testamento estão ligadas aos cristãos hoje; que

(3) as faculdades racionais mentais devem ser usadas e desenvolvidas tanto dentro quanto fora da Igreja e no estudo normal da Escritura. E, da mesma maneira,

(4) Lee não reivindicou para si mesmo nenhum papel especial como um profeta ou oráculo de Deus.

Foi também demonstrado que Duddy citou Lee constantemente fora do contexto, enquanto ignorava afirmações honestas de Lee nos tópicos sob discussão. O fato de Duddy) ter feito isso repetidamente neste conjunto de tópicos sugere que tenha agido igualmente por todo o seu livro. Na verdade, limites de tempo e de espaço foram as únicas barreiras a impedir a demonstração daquela observação. Duddy mostrou ser um intérprete inadequado dos escritos de Witness Lee, e The God-Men, quando muito, uma apresentação muito falha do pensamento de Lee. O efeito global da obra de Duddy é apresentar uma figura falsa, uma adulteração perniciosa da Igreja Local e de Witness Lee à comunidade cristã.

À luz da maneira pela qual este livro tratou Lee, posso apenas sugerir que The God-Men e os outros ataques à Igreja Local que dele derivam sejam descartados e que alguns outros estudiosos cristãos mais capazes e responsáveis empenhem-se na tarefa de rever e examinar os ensinamentos de Lee. Lee pode ter assimilado algumas ênfases questionáveis em seus ensinamentos, como sugeriram seus críticos. Ele pode até, embora eu tenha sido incapaz de detectar alguma, ter apresentado uma ou duas noções heréticas. Entretanto, Duddy não logou demonstrar nenhum desses pontos. Alem disso, ele provou ser um intérprete muito inepto dos escritos de Lee, de forma que nenhum julgamento negativo baseado em The God-Men pode ou deve ser aceito como válido.

Entretanto, sugiro que aceitemos a confissão de fé da Igreja Local, uma confissão que é perfeitamente ortodoxa em sua essência e que lhes permitamos o mesmo privilégio de discordar em pontos não fundamentais da fé e da prática, privilégio que nos concedemos uns aos outros. Se, no futuro, observadores mais competentes da Igreja Local encontrarem aspectos questionáveis em sua teologia, então, que naquela hora isso se torne assunto de discussão adicional e que aquela discussão se proceda sem o rancor que tem acompanhado a controvérsia da Igreja Local, até esta data.

Fonte: Uma Carta Aberta a Igreja Loca, Witness Lee e a Controversia Sobre The God-Men - Traduzido e Publicado por The Institute for the Study of American Religion .

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Ultima Atualização: quarta-feira, 24 de junho de 2015 12:29:51